Baptista Luz

02/10/2025 Leitura de 7’’

Stablecoins e CBDCs: ganhos, riscos e implicações estratégicas para o futuro das empresas

02/10/2025
  • 7’’

Introdução: por que 2025 é o ano decisivo 

Stablecoins e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) estão remodelando o sistema financeiro global.
De um lado, oferecem liquidez, velocidade e eficiência em pagamentos internacionais.
De outro, carregam riscos regulatórios, concentração em poucos emissores e incertezas de adoção em larga escala. 

Para executivos de alta gestão, compreender esse cenário é determinante: trata-se de alinhar tesouraria, compliance e inovação digital em um tabuleiro de alta complexidade, onde cada decisão impacta diretamente valuation, competitividade e governança corporativa. 

Panorama global em 2025 

  • O mercado de stablecoins alcançou US$ 261 bilhões em julho/2025, com 22 meses consecutivos de crescimento. 
  • Citigroup (EUA): testes com custódia e pagamentos em stablecoins, abrindo caminho para serviços bancários digitais. 
  • Banco Central Europeu: em julho/2025, publicou o 3º relatório de progresso do euro digital, avançando em privacidade e regras regulatórias. 
  • Brasil (Drex): revisou a arquitetura, priorizando centralização e previsibilidade sobre blockchain. Sempre que se aborda o cenário regulatório brasileiro, é importante destacar a Lei 14.478/22, o Decreto 11.563/23 e as Consultas Públicas 109, 110 e 111 do Banco Central, das quais decorrerão, ainda em 2024, as resoluções que regulamentarão a prestação de serviços sobre ativos virtuais no país — incluindo as stablecoins. Além disso, o tema das stablecoins também está em discussão no Congresso Nacional, no âmbito do PL 4308/2024.
  • China (e-CNY): segue com integração em apps privados, consolidando modelo híbrido de controle estatal e inovação. 

Essa disputa regulatória revela a geopolítica financeira em tempo real: blocos econômicos competem não só pela moeda, mas pelo padrão de governança digital que ditará a próxima década. 

Drex – Brasil 

No Brasil, o Drex, moeda digital do Banco Central do Brasil (CBDC – Central Bank Digital Currency), será o Real em versão digital, emitido e garantido pelo Banco Central, com algumas características que o diferenciam de outros meios de pagamento: 

 Principais características: 

  • Emitido pelo Banco Central → é a versão digital oficial do Real. 
  • Circulação em blockchain → a moeda será registrada em uma plataforma de tecnologia de registro distribuído (DLT), garantindo rastreabilidade e segurança. 
  • Integração com smart contracts e tokenização → permitirá programar pagamentos automáticos, transações inteligentes e uso em ambientes de ativos digitais. 
  • Uso indireto → pessoas e empresas não terão conta diretamente no BACEN, mas acessarão o Drex por meio de bancos e instituições financeiras credenciadas. 

 Impactos esperados: 

  • Eficiência: operações financeiras mais rápidas, seguras e com menor custo. 
  • Inclusão financeira: acesso facilitado a serviços digitais e crédito. 
  • Tokenização de ativos: possibilitará negociação digital de imóveis, contratos e até commodities em reais tokenizados. 
  • Maior transparência e compliance: todas as transações ficam registradas, reduzindo riscos de fraude. 

Regulamentação:
Sempre que se aborda o cenário regulatório brasileiro, é importante destacar a Lei 14.478/22, o Decreto 11.563/23 e as Consultas Públicas 109, 110 e 111 do Banco Central, das quais decorrerão, ainda em 2025, as resoluções que regulamentarão a prestação de serviços sobre ativos virtuais no país, incluindo as stablecoins. 

Além disso, o tema das stablecoins também está em discussão no Congresso Nacional, no âmbito do PL 4308/2024. 

Principais Players & Regulação (2025)

Player/iniciativa Movimento/Objetivo Jurisdição/Regra Fonte
citigroup Testes de custódia e pagamentos com stablecoins EUA – GENIUS Act Reuters
AllUnity (DWS, Galaxy, Flow Traders) Stablecoin EURAU, 100% regulada sob MICA Alemanha – BaFin/MICA CoinDesk
ECB (Euro digital) Preparação do rulebook e modelo de privacidade União Europeia – Regulação MICA ECB
Drex (Brasil) Piloto com arquitetura centralizada, menos blockchain Brasil – Banco Central do Brasil Forbes
China (e-CNY) CBDC com circulação, integração com apps privados China – PBOC BIS Reports

Ganhos estratégicos para empresas 

  • Liquidação quase instantânea (24/7): acelera fluxos globais e libera capital de giro. 
  • Redução de custos cross-border: menos intermediários e taxas cambiais → ganhos milionários em margens. 
  • Transparência e auditabilidade em tempo real: fortalece compliance e relatórios a investidores. 
  • Acesso a novos mercados digitais: tokenização de ativos, smart contracts e integração em marketplaces.

Riscos que não podem ser ignorados 

  • Concentração em poucos emissores: USDT concentra mais de 60% do mercado. 
  • Risco de liquidez: corridas de resgate podem congelar tesourarias. 
  • Incertezas regulatórias: MiCA (UE) e GENIUS Act (EUA) trazem divergências relevantes. 
  • Conflitos de jurisdição: multinacionais podem ser obrigadas a atender simultaneamente exigências contraditórias. 

 Setores mais impactados 

  • Exportadoras: redução de custos de hedge cambial, mas risco de sobreposição regulatória. 
  • Tecnologia & fintechs: integração com smart contracts, mas vulnerabilidade a liquidez de emissores. 
  • Indústrias reguladas: transparência em auditoria, porém exposição a obrigações múltiplas e potencialmente pesadas. 
  • Varejo global: eficiência em pagamentos digitais, mas dependência de emissores privados concentrados. 

 Top-5 Stablecoins por market share (2025) 

  • USDT (Tether) – ≈ 62% 
  • USDC (Circle) – ≈ 25,5% 
  • DAI (MakerDAO) – ≈ 4% 
  • FDUSD – ≈ 3% 
  • PYUSD (PayPal) – ≈ 1,5% 

 Recomendações estratégicas do b/luz 

  • Diagnóstico 360º regulatório-financeiro – mapear fluxos e exposição cambial sob MiCA e GENIUS Act  
  • Integração jurídico–tesouraria–inovação – fóruns interdisciplinares que aceleram decisões. 
  • Pilotos controlados (PoCs): negociação com emissores, métricas de ROI e documentação regulatória. 
  • Governança contínua: frameworks de auditoria, limites de exposição e planos de contingência. 
  • Estratégia de longo prazo: conectar stablecoins/CBDCs a tokenização, governança digital e atração de capital global. 

 Checklist executivo: perguntas críticas em 2025 

  • Minha empresa tem exposição a moedas digitais em fluxos internacionais? 
  • Existe plano de contingência para risco de liquidez ou corridas de resgate? 
  • Estamos preparados para atender simultaneamente MiCA e GENIUS Act? 
  • Há pilotos estruturados para stablecoins/CBDCs com métricas de ROI? 
  • Jurídico e tesouraria estão atuando em conjunto na avaliação estratégica? 

 Tendências até 2030 

  • Stablecoins e outros ativos virtuais como infraestrutura de tokenização em larga escala. 
  • Integração com IA e IoT em pagamentos automáticos de cadeias globais. 
  • Pressão de investidores por relatórios de governança digital financeira. 
  • Crescente competição entre moedas digitais estatais e privadas como instrumento de política econômica e diplomacia financeira. 

 Conclusão: liderança em governança digital 

Stablecoins e CBDCs deixaram de ser tema de futuro distante.
Em 2025, já se tornaram infraestrutura de governança digital corporativa, com impacto direto em margens, competitividade e credibilidade internacional. Executivos que tratam o tema apenas como “meio de pagamento” estão atrasados. O desafio é maior: estruturar governança de dados, compliance regulatório e modelos de negócio digitais que posicionem a empresa como líder no novo sistema financeiro global.

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